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Governo Sartori leva a educação ao caos no Rio Grande do Sul

12/01/2018

Sindicato dos professores e professoras do Rio Grande do Sul denuncia falta de compromisso do governo com Educação, atraso nos salários, escolas sucateadas e ameaça nova paralisação

Escrito por: Walber Pinto

Depois de 94 dias de greve, a maior já realizada pelos professores e professoras do estado do Rio Grande do Sul, encerrada em dezembro, a categoria foi surpreendida pelo não cumprimento do acordo firmado com o governador José Ivo Sartori (MDB). E quem aderiu à paralisação ainda está sofrendo diversos ataques e punições, denuncia a presidenta do Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul (CPERS), Helenir Aguiar Schürer, que alerta: vai ter reação.

"Não descartamos uma nova greve logo após o início das aulas, em 22 de janeiro. Já estamos preparando um intenso calendário de mobilizações contra os ataques do governo aos direitos dos educadores e educadoras”, diz Helenir. 

Desde fevereiro de 2015, os salários dos servidores do Rio Grande do Sul vêm sendo pagos de forma fatiada e consecutiva. Em agosto deste ano foi depositada uma parcela de apenas R$ 350,00 e os professores e professoras decidiram entrar em greve.

"Nós conseguimos por meio da greve impedir que o governador continuasse pagando uma parcela miserável de R$ 300 e conseguimos ainda que ele não atrasasse o pagamento dos salários em trinta dias, pois a proposta do governo era de pagar de dois em dois meses", diz Helenir.

Apesar de Sartori ter assinado o acordo para que a greve se encerrasse, os pagamentos dos professores continuam sendo parcelados. Também havia um acordo por parte do governo para retirada da PEC 257/16 (Proposta de Emenda Constitucional), que acaba com a obrigatoriedade de pagar em dia os salários e o 13°, mas o governador não cumpriu o compromisso e ainda está ameaçando demitir cerca de 40% dos professores e das professoras do estado que são temporários.

A Educação do estado do Rio Grande do Sul, que historicamente era um dos três primeiros colocados em qualidade do ensino no Brasil, amarga com a má gestão do governo Sartori. 

“A educação está um verdadeiro caos”, afirma Helenir, que completa: as escolas estão sucateadas, as condições de trabalho são precárias e o pagamento de salários, além de parcelados, estão atrasados. 

"Daí você imagina nossa situação. Esse é o pior governo nos meus 25 anos de magistério", diz o professor Edson Garcia, 45 anos, se referindo a gestão sem compromisso com a Educação de Sartori e seus secretários.

E para piorar ainda mais o caos nas escolas, o governador quer iniciar o ano letivo de 2018 juntando vários alunos numa única sala de aula para poder vender os prédios onde algumas escolas funcionam. A proposta é semelhante a do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do PSBD.

"É um descompromisso total com a educação pública, com o trabalhador e trabalhadora mais pobres, que sofrem com as mazelas do governo estadual e federal. Tem escolas sem ventiladores, e quanto tem não funcionam. Muitos alunos não comparecem às aulas, e quando comparecem, não ficam na sala de aula por causa do calor", denuncia a presidenta do Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul (CPERS).

Segundo Helenir, além de a categoria sofrer com tortura psicológica, uma das preocupações dos professores e professoras é de quanto e quando vão receber seus salários. Atualmente, eles o salário deles é de R$ 630 por 20 horas/aula e R$ 1.260,00 por 40 horas/aulas.  

"Nossa categoria está adoecia. Temos professores que já alugaram seus apartamentos e estão indo morar com parentes”, diz a dirigente.

O professor Edson relata a falta de estímulo aos educadores é grande e a maioria dos seus companheiros e companheiras de trabalho enfrentam problemas sérios de saúde. "Estamos com o psicológico abalado e isso reflete na nossa vida pessoal".

"É um governo que não tem compromisso com a educação, só prioriza os grandes empresários", diz Sandra.Regis, 65 anos, professora de educação física. Com mais de 27 anos de profissão ela conta que faz empréstimos consignados para tentar aliviar sua situação financeira. "Estamos todos no vermelho, eu e meus colegas. Fazemos empréstimo para sobreviver porque não sabemos quando vamos receber". 

Os problemas de infraestrutura, condições de estudo e salários dos professores também foram as principais reclamações dos estudantes que ocuparam as escolas em Porto Alegre, em 2016, em apoio à greve dos professores naquele ano.

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